Liturgia, Como Celebrar

Facilitador: Manoel Lima de Oliveira

Estudar liturgia é preparar-se para celebrar a maior festa da vida cristã. Para compreendê-la melhor, precisamos responder algumas perguntas fundamentais:

–          Por que celebrar?

–          O que celebrar?

–          Quem celebra?

–          Como celebrar?

–          Onde celebrar?

1. Por que Celebrar?

Celebrar significa tornar célebre um determinado momento ou acontecimento da vida. O ato de celebrar faz parte da vida humana, é uma ruptura da rotina cotidiana. O liturgista italiano, Romano Guardini, fala da celebração como dimensão lúdica da vida que extrapola o tempo e o espaço.

Celebrar é comemorar, isto é, atualizar na memória algo em comunhão com alguém. “Em todos os tempos e lugares, homens e mulheres de todos os meios e níveis sociais, de todas as culturas e religiões, costumam realçar, ao longo da existência, aspectos fundamentais da vida individual, familiar, social e religiosa” (Doc. CNBB – 43  Nº. 36) e este realce se dá no ato celebrativo.

A celebração “nos leva a descortinar a grandeza de nosso ser e de nosso destino de imagens de Deus”. Ela “nos abre espaço para vivermos em comunhão que é o anseio profundo de nosso ser social” (Doc. CNBB – 43  Nº. 38).

A história já vivida por alguém, grupo ou país é outra razão pela qual se celebra. Aqui surgem os diferentes tipos de celebrações: cívicas, sociais, religiosas…

Na religião a celebração ocupa um espaço privilegiado. Em se tratando da religião cristã, “a celebração consiste na memória do acontecimento fundante do Povo de Deus, isto é, a morte e ressurreição do Senhor, que perpetua na História a salvação que Cristo veio trazer a todos” (Doc. CNBB – 43  Nº. 39).

2. O que Celebrar?

Em toda e qualquer celebração o centro é a VIDA. Celebramos a vida. A vida provoca e faz acontecer a celebração que, por sua vez, compreende uma simples festa de aniversário até um fato que envolva todo o mundo.

Referindo-se à celebração litúrgica o que se celebra é a “vida de Deus no meio do povo” em vista de comemorar o mistério da salvação. O projeto de comunhão de Deus com o seu povo e “que chamamos de obra da salvação, foi prenunciado pelo próprio Deus no Antigo Testamento e realizado em Cristo. Hoje a Liturgia o celebra, isto é, o rememora e o torna presente na Igreja” (Doc. CNBB – 43  Nº. 44).

Portanto, podemos dizer que o ponto central da liturgia cristã é o Mistério Pascal. Por mistério pascal compreendemos a plenitude da presença de Deus no meio do seu povo na pessoa de Jesus, desde a sua encarnação até a ressurreição. “O mistério pascal de Cristo é o centro da História da salvação e por isso o encontramos na Liturgia como seu objeto e conteúdo principal. Esse mistério envolve toda a vida de Cristo e a vida de todos os cristãos” (Doc. CNBB – 43  Nº. 48).

Hoje, somos convidados “a celebrar os acontecimentos da vida inseridos no Mistério Pascal de Cristo”.

3. Quem Celebra?

Em nossas comunidades é comum ouvir frases tais como: “Padre, é o Senhor que vai celebrar hoje?”; “Quem celebrou a missa domingo passado foi o padre fulano”; “Naquela comunidade quem celebra é cicrano”; “Vamos assistir a celebração naquela igreja”.  Afinal de contas quem é mesmo que celebra?

O Catecismo da Igreja Católica responde esta indagação afirmando que “é toda a comunidade, o corpo de Cristo unido à sua Cabeça, que celebra” (CIC 1140).

Jesus Cristo é o único sacerdote, o celebrante principal. Nós somos convocados pelo Espírito Santo para celebrar com Jesus e com os demais membros da comunidade.

Celebrar é participar como sujeito e não como mero assistente. Na celebração litúrgica a pessoa torna-se participante de toda a vida de Jesus de Cristo (Mistério Pascal) e da vida de seus irmãos e irmãs inserida neste mistério de salvação. Portanto, quem celebra é toda a comunidade reunida em assembléia.

O êxito de uma celebração está diretamente ligado à diversidade de funções atribuídas aos membros de sua assembléia. De fato, a assembléia litúrgica “é uma comunidade reunida, mas nunca de modo massificado. Não é massa nem público. Articula-se em torno de diversas atividades específicas distribuídas entre seus diversos membros”. Sabemos também que “essas atividades, funções e papéis são, pois, verdadeiros serviços ou ministérios, porque ajudam a assembléia” a celebrar a vida de forma plena.

Dentre os principais serviços lembramos a “acolhida, leitura, canto, oração, ofertório, assistência à mesa-altar, presidência”.

4. Como Celebrar?

A esta questão, responde o Catecismo da Igreja Católica: “na vida humana, sinais e símbolos ocupam um lugar importante. Sendo o homem um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual, exprime e percebe as realidades espirituais através de sinais e de símbolos materiais. Como ser social, o homem precisa de sinais e de símbolos para comunicar-se com os outros, através da linguagem, de gestos, de ações. Vale o mesmo para a sua relação com Deus” (CIC 1146).

Indubitavelmente, a celebração litúrgica expressa seu significado mais profundo através de uma variedade de sinais, símbolos, gestos e ações. Para aprofundar esta questão achamos oportuno apresentar um resumo da obra “Vamos Celebrar” do Pe. Gregório Lutz:

Caminhar

Quando vamos a um determinado lugar é normal que, no caminho, haja uma preparação para um encontro (ex.: ir ao médico, à festa, ao teatro, etc.). Em se tratando da celebração não pode ser diferente. É importante que enquanto caminhamos até a Igreja façamos uma preparação para melhor celebrar o mistério pascal de Jesus Cristo.

Caminhando chegamos ao local da celebração e encontramos com os irmãos na fé e, juntos, nos deparamos diante de Deus.

No decorrer da celebração temos mais motivações para caminhar:

–          procissão de entrada: o presidente e a equipe celebrativa caminham até o altar e, consigo, levam toda a comunidade ao encontro com Deus;

–          procissão da palavra: os leitores caminham até o ambão donde proclamam o texto sagrado, significando a resposta de Deus que vai ao encontro da comunidade;

–          procissão das oferendas:  toda a comunidade  é  convidada  a  caminhar e oferecer sua vida a Deus;

–          procissão da comunhão: Deus caminha ao encontro da comunidade oferecendo-se em alimento.

Celebrar de Pé, Sentado e Ajoelhado

Estar de Pé:

“Os fiéis permaneçam de pé: do início do canto de entrada, ou do momento em que o sacerdote se aproxima do altar, até a oração do dia inclusive; ao canto de  aclamação antes do Evangelho; durante a  proclamação do Evangelho; durante  a profissão  de  fé e a oração universal; e da oração sobre as oferendas até o fim da Missa”,  exceto eventualmente durante a  consagração e a oração  em  silêncio  depois da  comunhão   (cf. Introdução Geral Sobre o Missal Romano, N. 21).

O estar de pé significa prontidão, estar atento, livre…

 Ficar Sentado:

“Sentam-se durante as leituras antes do Evangelho e durante o salmo responsorial; durante a homilia e enquanto se preparam os dons ao ofertório; e se for conveniente, enquanto se observa o silêncio sagrado após a comunhão” (Introdução Geral Sobre o Missal Romano, N. 21).

O ficar sentado favorece o recolhimento, a escuta acolhedora da Palavra e a sua meditação.

 Ajoelhar-se:

“Ajoelhem-se durante a Consagração, a não ser que a falta de espaço ou o grande número de presentes ou outras causas razoáveis não o permitam” (Introdução Geral Sobre o Missal Romano, N. 21).

Ajoelhar-se é uma atitude de humildade e adoração.

Celebrar Olhando e Ouvindo

Na celebração o “olhar” e o “ouvir”  são de uma grande abrangência. Olhamos o local da celebração e logo  notamos sua  limpeza, a ordem,  a decoração,  as  flores,   o presbitério, o altar, as velas, a  cruz,  o  ambão,  o sacrário, as imagens…

Olhamos também as pessoas (presidente da celebração, ministros, acólitos,  coroinhas,  leitores, comentarista, animadores e os demais irmãos e irmãs.

O nosso olhar se dirige ainda a cada ação litúrgica e aos sinais sacramentais.

Com os olhos da fé vemos o mistério de Jesus Cristo, no local da celebração e naquilo que é feito durante a mesma.

É notável também que durante toda a celebração saibamos ouvir (saudações, convites, exortações, cantos, leituras, homilia, orações…).

Lembramos ainda que o ouvir em silêncio favorece uma maior introspecção e interiorização.

 

Celebrar Rezando e Cantando

Não menos importante é o celebrar rezando e cantando. Através destas atitudes a assembléia dialoga com Deus, sai da passividade e interage-se.

Rezando e cantando responde-se às orações, às leituras e acompanha-se as procissões e a fração do pão. Com estes gestos a assembléia participa da oração eucarística não apenas interiormente, mas também pelas aclamações. Juntos os fiéis recitam a profissão de fé, elevam suas preces e rezam o Pai-Nosso.

Rezando e cantando a comunidade torna-se sujeito da ação litúrgica e entra em comunhão com a Trindade.

Celebrar Comendo e Bebendo

Comer e beber são atos sagrados para o ser humano. Portanto, essenciais na celebração litúrgica.

Comendo e bebendo o Corpo e o Sangue de Cristo atinge-se o ápice da celebração e da comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs.

Comendo e bebendo nos alimentamos e, no caso da celebração, nos nutrimos do sustento e do fortalecimento da vida de Cristo. É a plena participação da vida do outro, portanto deve ser um ato prazeroso e repleto de amor.

 5. Onde Celebrar?

O verdadeiro espaço para a celebração é constituído pela assembléia mesma que “prevalece sobre a realidade local físico-geográfica, arquitetônica”. Independentemente do local, seja ele, uma igreja, uma residência, um salão, debaixo de uma árvore ou à margem de um lago, o essencial é a presença real da pessoas, da comunidade reunida.

O lugar onde a celebração acontece é na própria assembléia. “A Igreja enquanto comunidade de crentes reunidos, congregados em torno de Cristo, é o novo templo” (cf. Ef. 2,19-22; 1Pd 2,5).

É sabido, pois, que o verdadeiro templo de Deus é o coração humano. É na assembléia reunida que Deus se faz presente. Mas devemos considerar que esta assembléia litúrgica, quase sempre, precisa de abrigo e proteção. Daí também a importância do templo de pedra, a igreja material. O templo deve refletir e expressar a presença de Deus que se manifesta na assembléia litúrgica. Portanto, a igreja deve ser um local que favoreça a mística e viabilize a celebração do Mistério Pascal. Todos devem sentir a celebração como ápice de suas vidas.

Com estas humildes idéias, descritas com carinho e ternura, intentamos despertar uma maior paixão pela celebração litúrgica. 

 BIBLIOGRAFIA

– Dicionário de Liturgia

– Compêndio do Vaticano II

– Catecismo da Igreja Católica

– Doc. CNBB, Nº. 43 – Animação da Vida Litúrgica no Brasil, São Paulo, Paulinas, 1989

– VALLE, Pe. Sérgio F., A Liturgia na Catequese, São Paulo, Paulinas, 1993

– RIBEIRO, Eliomar, Liturgia – festa da vida, São Paulo, CCJ, 1998

– BOROBIO, Dionisio, A Celebração na Igreja, Vol. I, São Paulo, Paulinas, 1990

 

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2 respostas para Liturgia, Como Celebrar

  1. cesar duarte disse:

    parabens pelo artigo.muito bom mesmo. abraços

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  2. Cirosousa disse:

    Parabéns seu olivera seu blog é uma benção

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