Espaço Celebrativo

 Facilitador: Manoel Lima de Oliveira

O primeiro espaço a ser cuidado, o espaço por excelência, são as pessoas. Quando os cristãos ainda não possuíam locais para as suas celebrações, mas celebravam nas casas os santos padres faziam questão de lembrar aos fiéis que o templo não são muros, mas as pessoas. Nos primeiros séculos do cristianismo, as casas onde os cristãos se reuniam se chamava “domus eclesiae”. A casa da Igreja.

O batismo nos torna templos sagrados. Fomos ungidos e consagrados pelo Espírito Santo para formar um só corpo em Cristo. “Este povo santo, reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é a Igreja ou templo de Deus, construído de pedras vivas, onde o Pai é adorado em espírito e verdade”[1]. Esta realidade deve manifestar-se também em materialidade no espaço ocupado pela comunidade reunida. Na disposição e na organização do espaço, na relação que criamos entre as pessoas e os vários ministérios desempenhados na celebração. É possível mostrar essa unidade. Nas Igrejas, precisamos portanto, evitar qualquer coisa que sugira separação e isolamento: colunas, tribunas, excesso de degraus.

1. Átrio

 O cuidado para que cada pessoa se sinta bem, seja bem acolhida, demanda uma série de serviços e espaços. A entrada ou átrio tem a função de acolher, recepcionar, preparar, predispor, informar, fazer transição. Neste átrio, um mural, com cartazes, avisos, fotos das atividades pastorais, das ações caritativas que a celebração suscita e a comunidade promove, uma frase do Evangelho do dia, contribui para introduzir no ministério celebrado.

 2. O lugar da assembléia

 “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20). “Reunidos como comunidade celebramos o mistério pascal para tornar-nos, cada vez mais corpo eclesial de Cristo”[2].

A assembléia deve manifestar-se o mais unido possível, sem separações ou barreiras que impeçam de ver, de escutar, de participar ativamente, de se mover e realizar as procissões previstas pelo próprio rito.

A forma radial (ao redor de) ajuda a comunidade a participar melhor. Os bancos ou cadeiras acomodem bem as pessoas. Acomodar significa também respeitar as pessoas com necessidades especiais: mães com crianças de colo, mulheres grávidas, pessoas portadoras de deficiências e idosos.

É preciso também prever acomodações para os que desempenham alguma função ou ministério litúrgico: presidente, diáconos, leitores, salmista, acólitos, coroinhas, os que sustentam o canto e os músicos (cf.. IGMR 311).

Os músicos e cantores são parte integrante da assembléia[3]. Geralmente a equipe de canto e músicos ficam na frente, próximo ao presbitério. Chamados a participar juntamente com toda a assembléia, eles se colocam voltados para o lugar onde acontecem as ações rituais: ambão, altar, cadeira da presidência, fonte batismal, e nunca de frente para a assembléia como se estivesse se apresentando.

A posição que cada um ocupa no espaço celebrativo não enfatiza condições de maior ou menor dignidade, mas realça a função e o serviço que cada um é chamado a desempenhar e colabora para que todos se sintam participantes e não meros espectadores de uma ação realizada por alguns.

3 – O lugar da presidência – Sede

Na celebração eucarística, o presidente faz as vezes de Cristo. Sua função pede que “presida”, que se sente diante da assembléia e coordene a ação celebrativa e oração. Por conseguinte, seu lugar, seu lugar não é meramente funcional. Como no caso dos outros ministros ou da assembléia, mas um lugar simbólico. A sede, por sua localização e seu material, deve permitir que o celebrante mostre-se de fato como presidente da comunidade dos fiéis (OGMR 271; IOe 92), evitando parecer trono. A sede do presidente não deve ser um assento qualquer, mesmo nas Igrejas pequenas.

Os assentos dos outros ministros devem ter uma formar que o distinga da sede – que deve ser única -, apresentando, porém, qualidade igual. A prática colocar as cadeiras menores de cada lado da sede, mas muitas vezes quase iguais, deve ser evitada nas paróquias e Igrejas, para não dar a impressão de que sempre são necessariamente três os ministros. Mesmo na catedral, onde as cadeiras estão previstas para os diáconos que acompanham o bispo, devem ser, em primeiro lugar, diferentes em seu design e não só em seu tamanho; e, em segundo lugar, podem ser colocadas um pouco atrás da sede, para evitar a impressão de um tribunal e enfatizar a importância do bispo como pastor em meio do rebanho.

A sede, de acordo com a estrutura de cada Igreja, deve ser colocada de tal modo que possa ser vista comodamente pelos fiéis. Por isso, deve achar-se elevada e destacada, mas não demasiadamente separada da assembléia. Não é recomendável pô-la no fundo da abside ou do presbitério, onde perde seu poder de presidência por encontrar-se longe demais da assembléia. Em muitos lugares, a sede pode situar-se a um lado do altar, próxima dos primeiros assentos da assembléia. A oportunidade que se dá aos artistas no projeto do altar, da sede e do ambão é interessante desafio a buscar, de maneira criativa, a união visual entre os três, com os materiais e/ou elementos do design.

A forma e o material da sede criem uma unidade com o altar e o ambão. Não são indicadas para o espaço litúrgico cadeiras comerciais, feitas em série, que combinam com mesas de sala de jantar, mas não combinam com as peças litúrgicas. As cadeiras com as almofadas são indicadas para climas frios.

Para realçar a unidade, é bom que a cadeira do presidente nunca esteja isolada, sozinha, mas ladeada pelos assentos dos concelebrantes, diáconos e demais ministros. Convém que, antes de ser destinada ao uno litúrgico, que se faça a sua bênção[4].

4 – O altar

 O catecismo da Igreja católica diz:

“Sobre o altar que é o centro da Igreja, faz-se presente o sacrifício da cruz sob os sinais sacramentais. O altar também a mesa do Senhor, a que o Povo de Deus é convidado” (CEC 1182)[5].

Na formulação, observa-se uma tensão criativa: o altar é pedra sacrifical e, ao mesmo tempo, mesa festiva. Pedro Farnés afirma em seu livro Construir y adaptar lãs iglesias: “O altar é, portanto, pedra, mas sobretudo é mesa”. Essa afirmação é importante por suas conseqüências práticas na projeção e construção dos altares atuais. O altar deve seu uma mesa e ter o aspecto de uma mesa.

Com base nos documentos conciliares e pós-conciliares, o altar tem algumas características que são essenciais e outras que são recomendáveis. As essenciais são:

  • Estar separado da parede, de maneira que se possa girar facilmente em torno dele e celebrar de frente para o povo;
  • Ocupar lugar tão importante no edifício sagrado que seja realmente o centro para onde seja espontaneamente atraída a atenção de toda a assembléia;
  • Ser único, dedicado só a Deus;
  • Não ter imagens nem relíquias sobre sua superfície.

 As características secundárias ou recomendações são as seguintes:

  • Ser fixo, isto é, estar preso ao edifício;
  • Estar consagrado;
  • Ser de pedra natural ou, pelo menos, de outro material sólido e artisticamente trabalhado;
  • Estar edificado sobre o sepulcro de mártires ou de santos, ou incluir em sua parte inferior essas relíquias.[6]

A forma do altar pré-conciliar era retangular, longa e estreita. Ela chegou a isso por muitas razões, e assim convinha que fosse quando se localizava no fundo da igreja, contra a parede da abside. O problema de hoje é que essa forma de altar permaneceu como a forma supostamente apropriada, mesmo que agora se ache separado da parede e do retábulo. Trata-se contudo de uma forma que não deve continuar.

Eis algumas das razões disso:

Em primeiro lugar, isolado, não conectado com nenhum outro objeto, o altar recuperou seu simbolismo próprio: já não precisa servir ao retábulo, a uma imagem ou a uma relíquia. Estando separado, pode adquirir dimensões mais atualizadas e adequadas a seu simbolismo. Se for muito longo e estreito, a impressão visual  é a de um objeto de duas dimensões. Estendendo-se para a frente, ele recupera sua terceira dimensão, como era antes do século X, época em que era quadrado e não costumava exceder um metro de profundidade.

 5 – O Ambão

 Deve haver um único ambão, não dois iguais (OGMR 272). Se se precisa de um “pódio” ou atril para o monitor  , faz-se um muito mais simples, que não entre em concorrência com o ambão e se situe em contraposição [simetricamente oposto] a ele. A simetria (desejo de ter equilíbrio matemático entre elementos), embora seja um conceito popular, não ajuda no sentido estético nem é uma regra litúrgica. Pelo contrário, a assimetria é mais artística e, no caso do único ambão, mais litúrgica.

O lugar do ambão deve ser: “elevado, fixo e não portátil, dotado da disposição e nobreza adequadas, de modo a corresponder à dignidade da Palavra de Deus…” (OLM 32).

A Palavra de Deus sempre foi especialmente honrada pela Igreja; durante o Concílio Vaticano II, e depois dele, foi ela enfatizada ainda mais. Em toda celebração dos sacramentos da Igreja, a Palavra é parte integrante. Sua importância é também observada no realce dado ao lugar da proclamação da Palavra. Seu propósito não é meramente funcional, mas também simbólico. Um simbolismo que deve recordar com clareza aos fiéis: “que na Missa lhes é preparada a dupla mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo…” (ibid). Isso requer uma harmonia entre o altar e o ambão. E o projeto do lugar da palavra deve ser efetuada com o mesmo esmero artístico que o do altar, porque a Igreja que nos diz que “quando se lê na Igreja a Sagrada Escritura, é Ele (Cristo) que fala” (SC 7). Sua ornamentação deve ser festiva e ajudar a destacar, possam guardar livros, papeis etc., zelando-se para que não se transforme num lugar de despejo para qualquer coisa.

Pede-se que seja um lugar fixo. O atril ou facistol, com freqüência de realização inadequada e na artística, não pode conseguir a expressão da verdadeira importância da mesa da Palavra, especialmente quando é removido depois da celebração, ou, pior ainda, quando se move e treme durante a proclamação. O simbolismo do lugar da palavra deve estar presente antes, durante e depois da celebração.

Na colocação do ambão, deve-se considerar não só que os fiéis escutem bem o leitor, mas também que o vejam claramente. Para atingir essa finalidade, é necessário assegurar a elevação adequada por meio de degraus e/ou pela própria construção do móvel. A altura é determinada de acordo com cada lugar: o ambão deve ser visível por todos, mas não tão alto e imponente quanto os púlpitos de anos passados.

O ambão é reservado às leituras, ao Exultet, à homilia e a oração dos fiéis (OLM 33). Não está previsto o uso do ambão para as admoestações, os avisos, a direção do canto ou canto as orações presidências como se costuma ver em alguns lugares.

BIBLIOGRAFIA:

. Guia Litúrgico-Pastoral – CNBB – Ed. CNBB 1ª Edição.

. Equipe e Liturgia – Ione Buyst – Paulinas

. Manual de Liturgia II – Conselho Episcopal Latino-americano – CELAM – PAULUS


[1] Ritual da dedicação da Igreja e altar, Introdução n.1.

[2] CNBB, A eucaristia na vida da Igreja (Estudos da CNBB n. 89), p. 73.

[3] Ver matéria no capítulo sobre a música.

[4] Cf. IGMR 310 e cf. Ritual Romano, Ritual de bênçãos, ed. Típica 1984, Bênção de Cadeira de Presidência, n. 880-899

[5] Cf. OGMR 259

[6] Cf. ibid., 35; IO nn. 91 e 93; Ritual da Dedicação de igrejas e de altares.

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